De toda a manutenção que uma casa precisa, esta é aquela em que o que está em jogo é maior e o esforço é menor. Um alarme de fumaça funcionando compra para você os minutos que mais importam em um incêndio — a diferença entre acordar a tempo ou não. E mantê-lo funcionando leva cerca de um minuto por mês.
O problema é que os alarmes são fáceis de ignorar até o momento em que apitam às 3 da manhã, ponto em que gente demais tira a bateria e esquece. Este guia apresenta uma rotina calma e simples para que seus detectores estejam sempre prontos, e é honesto quanto às partes — principalmente os sistemas ligados à rede elétrica — em que um eletricista deve assumir.
Teste cada alarme uma vez por mês#
O hábito mais importante de todos é também o mais simples. Uma vez por mês, pressione e segure o botão de teste de cada detector até ele soar. Isso confirma que a sirene, a bateria e o circuito estão todos cumprindo a sua função. Se estiver fraco ou silencioso, resolva no mesmo dia.
Facilite a lembrança associando o teste a algo que você já faz — o primeiro dia do mês ou o dia em que você paga uma conta recorrente. Se os seus alarmes forem interligados, testar um deve acionar todos, o que é uma boa oportunidade para confirmar que cada unidade responde em conjunto.
- Vá até cada detector, em vez de testá-lo do outro lado do cômodo.
- Avise primeiro quem estiver em casa, porque o som é propositalmente irritante.
- Anote qualquer unidade que esteja lenta, baixa ou sem resposta.
- Ensine às crianças o que o alarme significa durante um teste, quando é calmo em vez de assustador.
Esse teste mensal pega as falhas silenciosas — uma bateria descarregada, uma unidade desconectada — antes que elas importem. Todo o resto neste guia é importante, mas nada substitui apertar aquele botão.
Mantenha as baterias em dia#
Um detector que apita de poucos em poucos minutos indica uma bateria acabando, e isso sempre parece começar no meio da noite. Antecipe-se em vez de apenas reagir.
Nas unidades com baterias substituíveis, troque-as pelo menos uma vez por ano, mesmo que não tenham reclamado. Um truque comum é combinar a troca com a mudança de horário na primavera ou no outono, para que caia em uma data fácil de lembrar. Os alarmes mais novos costumam vir com uma bateria selada de dez anos embutida; essas você não troca de jeito nenhum — quando chegam ao fim da vida útil, você substitui a unidade inteira.
Nunca resolva um alarme que apita ou dispara sem necessidade tirando a bateria e deixando-a de fora. Um detector desativado é o mesmo que nenhum detector, e “amanhã eu coloco de volta” é exatamente como as casas acabam desprotegidas. Se a fumaça do cozimento fica disparando um deles, mude-o de lugar ou troque por um tipo diferente de sensor — não o desarme.
Já que está nisso, passe suavemente o aspirador ao redor das aberturas de cada unidade algumas vezes por ano. Poeira e teias de aranha se acumulam por dentro e podem causar tanto alarmes falsos quanto uma resposta lenta.
Também há mais de um tipo de sensor, e vale a pena saber qual você tem. Os alarmes por ionização tendem a reagir mais rápido a incêndios com chamas e de avanço rápido, enquanto os alarmes fotoelétricos respondem mais cedo aos lentos, que ardem sem chama — a fumaça que se acumula por um tempo antes de irromper em fogo. Como os incêndios reais aparecem nas duas modalidades, muita gente cobre a casa com uma mistura dos dois, ou escolhe unidades de sensor duplo que combinam ambos. Se um alarme específico é disparado o tempo todo pelo cozimento ou pelo vapor do banho, trocá-lo por um modelo fotoelétrico, ou simplesmente afastá-lo um pouco mais da cozinha, costuma resolver o incômodo sem deixar um cômodo desprotegido.
Acerte o posicionamento e a cobertura#
Um alarme no lugar errado protege um corredor vazio. Cobertura tem a ver com ter detectores suficientes, nos lugares certos, para que, não importa onde um incêndio comece, um deles esteja perto o bastante para detectá-lo cedo.
- Coloque um alarme de fumaça em cada andar da casa, inclusive no porão.
- Instale um dentro de cada quarto e um no corredor do lado de fora das áreas de dormir.
- Monte-os no alto — a fumaça sobe, então o teto ou o alto de uma parede são os melhores lugares.
- Mantenha-os afastados de cozinhas e banheiros o suficiente para evitar disparos por vapor e cozimento, mas não tão longe a ponto de não perceberem a fumaça de verdade.
- Acrescente alarmes de monóxido de carbono perto das áreas de dormir e em cada andar, especialmente se houver algum aparelho que queime combustível.
Essa última linha se conecta ao restante da casa. Qualquer caldeira, aparelho a gás ou garagem anexa é uma potencial fonte de monóxido de carbono, e é por isso que os alarmes de CO fazem parte dessa mesma rotina — há mais sobre o lado dos equipamentos em como manter o seu sistema de climatização (HVAC). Existem unidades combinadas de fumaça e CO, que podem simplificar as coisas, desde que você as posicione onde ambos os perigos fiquem cobertos.
A interligação é a melhoria que, silenciosamente, mais importa para a cobertura. Quando os alarmes estão ligados entre si — por fiação ou sem fio —, um incêndio detectado no porão faz soar todos os alarmes da casa de uma vez, inclusive o do quarto distante onde alguém está dormindo. Um alarme isolado a dois andares de distância de quem dorme é a brecha que pega as pessoas desprevenidas, e interligar as unidades fecha essa brecha.
Saiba quando um detector está simplesmente velho demais#
Eis o fato que surpreende a maioria das pessoas: os detectores de fumaça têm prazo de validade. O sensor interno se degrada com o tempo e, depois de cerca de dez anos, já não se pode confiar que ele responda de forma confiável — uma bateria nova não conserta um sensor envelhecido. Um detector bem além do prazo pode parecer, e até passar no teste, perfeitamente bem, sendo ao mesmo tempo muito menos capaz em um incêndio real.
Verifique a data de fabricação impressa no verso de cada unidade. Se ela tiver cerca de uma década ou você não encontrar data alguma, substitua-a. Quando fizer isso, é um bom momento para anotar a nova data em algum lugar onde você a verá e para incorporar essa verificação inteira ao seu checklist sazonal de manutenção da casa, para que ela não passe batido.
O limite em que um eletricista assume#
Testar, limpar, trocar baterias e substituir uma unidade que funciona só a bateria são, com toda a certeza, tarefas suas. O que muda é no caso dos alarmes ligados à rede elétrica — aqueles conectados ao sistema elétrico da sua casa e, muitas vezes, interligados para soarem todos juntos. Você pode e deve testá-los mensalmente, mas instalá-los, substituir uma unidade com fiação ou diagnosticar uma que não para de dar defeito envolve a fiação elétrica, e isso é trabalho de um eletricista credenciado. Os sistemas interligados, em especial, precisam ser ligados corretamente para funcionar como projetado, e errar nisso põe todo o propósito a perder.
Nada disso é complicado, e esse é justamente o ponto. Um teste que você sente com o polegar, uma bateria num ritmo anual, uma substituição completa a cada década e cobertura nos cômodos certos — esse é um plano completo. Poucas coisas que você faz pela casa importam tanto por tão pouco esforço, então coloque isso no calendário e mantenha lá.
Principais conclusões#
- Um alarme de fumaça só protege você se estiver funcionando, e é por isso que um teste mensal importa mais do que qualquer outra coisa.
- Os detectores têm prazo de validade e deixam de ser confiáveis depois de cerca de uma década, independentemente da bateria.
- O posicionamento importa — os alarmes devem ficar em cada andar e perto de cada área de dormir.
- Os sistemas ligados à rede elétrica e interligados podem ser testados por você, mas devem ser instalados e reparados por um eletricista credenciado.
Continue lendo
Você também pode gostar
Sua Lista de Manutenção Sazonal da Casa
Uma lista de manutenção da casa estação por estação que ajuda você a detectar pequenos problemas cedo, distribuir o trabalho ao longo…
Como Evitar o Congelamento dos Canos no Inverno
Passos práticos para impedir que seus canos congelem e estourem no inverno, além de como descongelar um cano com segurança e quando…